Quando Marina Souza se formou em direito pela USP em 2015, não imaginava que dez anos depois estaria trabalhando como Head of Legal Affairs numa startup de tecnologia financeira. Não porque não quisesse — simplesmente porque esse tipo de cargo mal existia.
"Quando entrei no mercado, advogado de startup era uma raridade", ela conta. "As empresas de tecnologia ou não tinham área jurídica ou terceirizavam tudo para escritórios tradicionais que não entendiam nada do negócio."
O setor de tecnologia brasileiro mudou muito desde então. As empresas cresceram, ficaram mais complexas, e perceberam que precisam de profissionais com formações diversas para funcionar bem. Não apenas engenheiros e cientistas de dados, mas também advogados, designers, comunicadores, psicólogos, economistas.
Essa mudança criou oportunidades para profissionais que, há alguns anos, nunca considerariam trabalhar em tecnologia. E está transformando a forma como as empresas do setor operam.
Para quem está pensando em fazer essa transição, alguns pontos práticos:
Primeiro, entenda o negócio. Não é necessário saber programar, mas é essencial entender como a empresa gera valor, quais são seus principais desafios técnicos e como as decisões de tecnologia afetam o negócio como um todo.
Segundo, aprenda a linguagem. Cada setor tem seu vocabulário. Investir tempo para entender os termos e conceitos básicos de tecnologia facilita a comunicação e demonstra comprometimento.
Terceiro, encontre o ponto de interseção. Qual é a contribuição única que sua formação pode trazer para uma empresa de tecnologia? Advogados que entendem de privacidade de dados, designers que sabem pesquisa de usuário, comunicadores que entendem de produto — esses perfis têm demanda crescente.
O setor de tecnologia precisa de diversidade de perspectivas para resolver problemas complexos. Isso é uma oportunidade real para profissionais dispostos a fazer a transição.